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Gêneros textuais: como cada fase entende as diferentes formas de apresentação da escrita?

14 janeiro 2021

Saber se comunicar é uma habilidade essencial tanto para a escola quanto para a vida. Mas, dependendo da idade e da bagagem cultural, a interação que o leitor tem com o texto é diferente.

Na infância, o texto, mais lúdico, ajuda a formar pequenos leitores que desenvolvem a leitura enquanto se divertem. A criança sente-se atraída por livros de fábulas, contos, anedotas, histórias em quadrinhos, e toda essa experiência contribui para que se torne um leitor.

Com o passar do tempo, abre-se o leque de interesses e cada pessoa vai descobrindo diferentes gêneros textuais e formas de absorvê-los. Um leitor mais experiente, por exemplo, pode se encontrar em diferentes formatos de textos narrativos, como crônicas e romances.

Mas aprender a se comunicar também é aprender a produzir diferentes gêneros textuais. Isto é, durante os anos da escola, o aluno entra em contato com técnicas de interpretação e redação de textos, como resenhas de livros, relatórios científicos, artigos, ensaios, entre outras formas acadêmicas de comunicação que são úteis dentro e fora da escola. E, claro, saber interpretar e criar textos ajuda muito fora da escola. Afinal, estamos rodeados de informações, de manuais de instrução a cartas e e-mails profissionais ou até matérias de jornal e outras fontes. Para uma formação completa e cidadã, é preciso que o aluno tenha sua competência leitora desenvolvida.

 

A leitura se aprimora ao longo da infância

“Quando falamos dos alunos do 2º ao 5º Ano, nós estamos falando de crianças que têm entre 8 e 11 anos. Eles estão aprendendo a ler com fluência, estão aprendendo a interpretar textos, a escrever textos”, comenta a professora Rosângela Lúcio.

Outro ponto importante, de acordo com ela, é que, na infância, a criança entre em contato com muitos gêneros textuais diferentes e com muitos elementos: “histórias em quadrinhos, tutoriais, textos dramáticos, propagandas. Isso chama a sua atenção, porque esses textos podem ser apresentados com outros estímulos. São os textos multissemióticos, que apresentam muitos recursos visuais, atraindo o leitor com cores e desenhos”.

A professora Rosângela também frisa a importância de aproximar os temas de leituras à realidade dos alunos. “Uma entrevista com o diretor de um filme que eles gostam, um tutorial que ensina a fazer slime, uma receita que eles mesmos podem fazer”, exemplifica. “Um texto que eles compreendem, uma linguagem que faz sentido para eles e que pode ser interpretado e analisado na escola.”

“Os alunos precisam entender que ler e escrever é bom, que é libertador, que tem um sentido na vida". E o papel do professor é importante nesse processo: “conhecer bons livros para a faixa etária, indicá-los, apresentá-los para a turma, como uma maneira de incentivar a leitura e ampliar as possibilidades, para que o aluno descubra o que ele gosta de ler, e aumentar o prazer pela leitura”.

É importante que o ambiente escolar valorize diferentes gêneros textuais, explica a professora. “Cada gênero textual tem características próprias, então se vamos ensinar a ler história em quadrinhos, precisamos ensinar que os tipos de balões são importantes, os cenários, as expressões das personagens, as onomatopeias e as inferências que podemos fazer entre um quadrinho e outro”.

A origem do texto também é um fator importante. “Se vamos estudar um poema concreto ou um texto dramático, temos outras características do texto. É importante conhecer e entender esses gêneros, saber onde o texto circula, para quem e para que ele foi produzido”, explica.

O principal fator é que os alunos, nessa fase, consigam identificar as diferenças e as questões de cada gênero de texto. “Uma leitura eficaz não é só juntar os sons das letras”. Por isso, é importante ter contato com formas diferentes de leitura. “Precisamos ler mais, conhecer gêneros variados para ampliar o nosso repertório e fazer diferentes leituras do mundo à nossa volta”, conclui a professora.

 

Formação de leitores mais completos e diversos 

“Santo Agostinho afirmava que ‘a melhor lição é o exemplo'", explica o professor de Redação do Ensino Fundamental II Rafael Vinícius de Carvalho Picinin. Ele se baseia no conceito agostiniano, norte do Colégio Magnum, para inspirar e estimular os alunos em torno da leitura e da escrita. "É atento a esse ensinamento que costumo compartilhar, semanalmente, os textos que leio, incluindo não apenas os literários, mas também os científicos, os jornalísticos etc.”, considera ele.  

De acordo com o professor, essa prática traz um resultado interessante de compartilhamento de leituras entre os próprios alunos, em que muitos deles também contam sobre o que estão lendo ou pedem dicas de livros. O professor reforça a criação deste hábito como essencial para a formação completa dos alunos: “essa troca de experiências ganha papel de destaque na cena de imersão dos alunos nos estudos da linguagem. Afinal, ao falar sobre leitura, falamos obviamente também sobre textos. E ao falar sobre textos, de fato, falamos amorosamente sobre sentido, ou melhor, sobre os sentidos das coisas”. 

Não é apenas na sala de aula que o hábito de leitura se mostra relevante, diz ele. “É importante fazer com que o aluno compreenda que ler – ler o mundo, na verdade – é essencial para que nele nos situemos de forma plena, com o outro e com tudo aquilo que nos rodeia”. 

Aprender a ler textos, de acordo com o professor, é aprender a ler também os contextos, e daí surge a importância de incentivar os alunos a terem contato com diversos gêneros discursivos. “É extremamente relevante estimular constantemente a consciência sobre esse processo ininterrupto de leitura (do gesto banal, cotidiano, às formas mais expressivas da Arte), para que todos possamos transcender às próprias palavras e alcançar uma leitura – muito mais efetiva, inclusive – que nos conecte de forma crítica com outros seres humanos e com a realidade que nos acolhe”, conclui. 

 

Ensino Médio e a abordagem de diferentes gêneros

Bárbara Amorim, professora de Ensino Médio, explica que ainda existe uma resistência entre alunos com o estudo de interpretação de texto: “Há uma espécie de senso comum entre os alunos de que não é preciso estudar para a prova de Linguagens do Enem, por exemplo, como se interpretação de texto fosse uma habilidade intrínseca.”

No entanto, existem algumas habilidades necessárias nesse processo que são desenvolvidas em sala de aula. “Vencer dificuldades com vocabulário, compreender os gêneros textuais, entender, por exemplo, como a leitura de uma fonte influencia na interpretação do texto, além do papel do autor, do veículo de comunicação, dos recursos estilísticos. Isso tudo são recursos que o aluno tem que compreender para realizar essa interpretação”.

Apesar da importância de interpretação e produção de textos para provas vestibulares, a professora frisa que não é somente este o papel do estudo de texto na escola. “A escola também tem outra função, que é a função social de formar de fato alunos capazes de circular na sociedade com tranquilidade e de serem sujeitos críticos e preparados para diversos contextos sociais, no que diz respeito à produção de gêneros.” Alguns exemplos que ela aponta são a escrita de currículos, artigos científicos na universidade, teses e dissertações, além de gêneros orais, como entrevistas e debates, entre outros.

Outro ponto que a professora cita é a importância dos gêneros textuais como forma de expressão para os adolescentes. Ela explica que há dois tipos de alunos nessa fase escolar. “A grande maioria tem um apelo pelos gêneros argumentativos dissertativos, sejam eles orais ou escritos, haja vista que o adolescente gosta do debate e, para ele, construir opinião e firmar um posicionamento dentro do grupo de convivência é um processo de construção de identidade também”.

Outros alunos preferem expressar suas percepções e subjetividades em outros gêneros. “Temos também os alunos que gostam de textos mais criativos, que gostam de explorar a visão de mundo deles, com recursos de linguagem de viés mais literário.” Nesse caso, os jovens encontram mais a autoexpressão em textos como crônicas, contos e poemas.

“Há necessidade de desenvolver a comunicação como parte da vida”, destaca a professora. “Dialogar com esses anseios, essas necessidades que são típicas da idade, de se colocar no mundo, de se formar e formar opinião, de se expressar, e eu acho que os gêneros para eles são muito importantes nesse sentido. É importante que a escola instrumentalize cada vez mais esses jovens, para que eles possam se colocar de maneira consciente, ética e efetiva diante das diversas questões pessoais e sociais.”

 

As formas diferentes de linguagem

Saber como se comunicar e interpretar textos também é aprender como as pessoas se comunicam em contextos diferentes. Ainda que a norma culta seja muito importante para os estudos e a vida profissional, ela nem sempre é empregada no dia a dia.

Um exemplo comum é o das redes sociais. Ambientes de amizade e informalidade, elas deixam a possibilidade de uma conversa sem seguir tão ao pé da letra as regras de gramática ou ortografia. Sem contar as gírias, os neologismos e o vocabulário próprio que essas plataformas podem criar, quase como uma versão diferente do Português.

Outras versões diferentes da nossa língua são as diferenças regionais de texto. Nem toda linguagem é a mesma. Os regionalismos fazem parte da vida de um idioma e estão presentes em nossa comunicação. Em alguns lugares do Brasil, as pessoas dizem “não sei”, em outras “sei não”. O sotaque da Bahia tem seu ritmo. E não podemos esquecer do mineirês e suas próprias regras.

Infelizmente, ainda existe muito preconceito linguístico por aí, por linguagem fora da norma culta, por sotaques ou regionalismo ou até quando uma pessoa desconhece uma forma de comunicação. Mas não deixa de ser um preconceito, uma forma de julgamento contra uma pessoa diferente de nós.

A vivacidade da língua é justamente por sua beleza e variação e, por isso, aprender a entender os diferentes gêneros de texto, suas regras, suas características e como eles funcionam, na escola e no dia a dia.

É ao entender melhor sobre o que está por trás de cada narrativa, cada descrição, cada forma de se comunicar que usamos o aprendizado para nos entender e passar conhecimento entre autor e leitor, entre uma pessoa e outra.